Paulo Nunes de Almeida: “Há motivos para confiar na capacidade das empresas e dos empresários portugueses”

Image
“Há motivos para confiar na capacidade das empresas e dos empresários portugueses”

O GPA falou com o presidente da Associação Empresarial de Portugal, Paulo Nunes de Almeida, para perceber de que forma esta parceria pode contribuir para a competitividade das empresas portuguesas...

O GPA falou com o presidente da Associação Empresarial de Portugal, Paulo Nunes de Almeida, para perceber de que forma esta parceria pode contribuir para acompetitividade das empresas portuguesas, bem como do Eco4Portugal, a marca-chapéu que a associação adotou na comunicação dos projetos que está a executar na área daeconomia sustentável.
 
Como define a importância da AEP no contexto empresarial nacional?
Apesar de historicamente ter sede no Porto e de a maioria dos nossos associados serem, sobretudo, empresas implantadas nas regiões Norte e Centro, a AEP tem representação multissetorial e atividade em todo o país, um posicionamento de grande proximidade com as empresas – mormente, as PME –, cujos interesses defende e a quem presta serviços de capacitação para a economia global, potenciando a qualificação, a competitividade e aqualidade do saber fazer português.

Somos cada vez mais uma plataforma agregadora dos empresários e dos empreendedores portugueses que querem contribuir para Portugal vencer os desafios de crescimento, competitividade e emprego com que está confrontado no pós-intervenção da troika.  Queremos ser um agente ativo na promoção do crescimento económico, através da realização de ações que favoreçam o alargamento da base exportadora do país, a diversificação dos mercados, a incorporação de valor acrescentado nacional, a qualificação dos recursos humanos, o empreendedorismo e a responsabilidade social.

Neste contexto, que tipo de apoio ou iniciativas considera que devem ser tomadas pela AEP para reforçar a competitividade do tecido empresarial português?
Desde a nossa fundação, em 1849, nunca a AEP deixou de estar focada nas atividades indutoras da formação e da qualificação, da promoção e da valorização dos produtos portugueses, da captação de compradores estrangeiros, da abertura de mercados e da internacionalização das nossas empresas. Foi por nossa iniciativa que foi instituída aprimeira escola técnica e que foram organizadas as primeiras grandes feiras de negócios em Portugal.

Com todo esse passado e os olhos postos no futuro, vamos continuar a trabalhar em prol doincremento da competitividade das empresas, procurando apoiar as PME portuguesas, a começar por aquelas que são nossas associadas, com a informação e os instrumentos que lhes permitam maximizar os apoios que o próximo quadro comunitário de apoioconsagrará. Estou a pensar, nomeadamente, em matérias como inovação e propriedade industrial, eficiência energética e hídrica, formação e qualificação, internacionalização, novas tecnologias associadas às ações de promoção externa e ao comércio eletrónico, redes de cooperação e capacitação e reconhecimento da nossa capacidade industrial junto dos organismos multilaterais internacionais. Tudo isto sem desconsiderar a frente interna, pois é fundamental reanimar o mercado interno, investir e criar emprego. A regeneração urbana, o ambiente e a economia do mar parecem-me ser, neste âmbito, prioridades incontornáveis.

Na sua opinião, quais as condições e motivos para continuarmos a confiar na capacidade das empresas e dos empresários portugueses?
A par do esforço feito pelas empresas - traduzido na evolução muito positiva da balança de bens e serviços, em resultado da redução das importações e, sobretudo, do forte dinamismo das exportações portuguesas de bens, com ganhos de quota de mercado -, Portugal tem de aproveitar os próximos anos para corrigir, de uma vez por todas, os desequilíbrios estruturais, acumulados ao longo de muitos anos.

Melhorar o rating da República e as contas públicas são objetivos que todos devemos ter presentes, para que Portugal fique com o caminho desimpedido e faça o que tem a fazer para a correção do desequilíbrio externo, onde apresentamos já alguma capacidade de financiamento face ao exterior.

Mas só isto não chega. Temos de aproveitar o programa Portugal 2020 para dotar o país de infraestruturas estratégicas, indutoras de competitividade económica e de coesão territorial, como são os corredores ferroviários internacionais Aveiro/Salamanca e Sines/Caia. São dois projetos de interesse nacional e infraestruturas fundamentais de suporte àinternacionalização da economia.

Paralelamente à manutenção de uma agenda que acelere a internacionalização da nossa economia e relance o investimento interno, há que continuar a trabalhar para reduzir os custos de contexto, mediante uma efetiva reforma do Estado, e fomentar a cooperação entre o sistema científico e tecnológico e o tecido empresarial.

Qual a importância de projetos como “Portugal Sou Eu” para a economia portuguesa? 
A par de uma maior internacionalização da economia portuguesa, consideramos fundamental estimular a procura interna, a começar pelo investimento. Só desta forma será possível evitar o encerramento de empresas e a perda de postos de trabalho.

Ao nível do investimento, sou favorável a uma agenda que conjugue o incremento das exportações com a substituição de importações. Nesse âmbito, o movimento de reindustrialização parece-me decisivo, assim como a valorização dos nossos recursos naturais e da capacidade produtiva instalada, priorizando aspetos como a eficiência energética, a inovação e o design. Só com programas como o `Compro o que é Nosso', em boa hora lançado pela AEP, e, agora, o `Portugal Sou Eu' se promovem as indústrias e os serviços que incorporam valor acrescentado nacional e ajudam a melhorar os níveis de qualificação dos nossos recursos humanos.

Para este ano, quais as perspetivas da AEP para as empresas nacionais perante a atual conjuntura?
Temos de olhar para o fim da década. De pouco valerá limitar o nosso horizonte a 2014. O novo período de programação dos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento 2014-2020, que agora se inicia, tem de ser um instrumento que promova o reforço da competitividade e a criação de emprego.

A alocação do montante de fundos comunitários aos objetivos temáticos previstos no recente Acordo de Parceria celebrado entre Portugal e a União Europeia reveste-se da maior importância. Desde logo, porque atuará de forma direta no tecido empresarial. Mas também se fará sentir de forma indireta, por ser propício à atração de novo investimento (re)produtivo, nacional e estrangeiro.

Todos estes desafios requerem que o nosso tecido empresarial esteja municiado de umconjunto de competências que ele muitas vezes não possui, por a esmagadora maioria das empresas portuguesas serem PME, com as debilidades estruturais e os défices formativos conhecidos.

Para vencer tais desafios, é necessário um esforço conjunto das instituições públicas, das empresas e das estruturas associativas que as representam, nas quais nos inserimos. Isto é: há motivos para continuarmos a confiar na capacidade das empresas e dos empresários portugueses, mas importa que as instituições e o poder político também façam a sua parte, a começar pela celebração de um amplo acordo que promova a estabilidade político-institucional e facilite a governação do país durante as próximas duas legislaturas, pelo menos.

De que forma o “Eco4Portugal" poderá facilitar as opções de gestão das empresas com vista a aumentar a competitividade da economia e o cumprimento das metas nacionais e europeias para 2020?
Eco4Portugal é a marca-chapéu que a AEP adotou na comunicação de quatro projetos que está a executar, até meados do próximo ano e com cofinanciamento do Compete, na área da economia sustentável e numa lógica de ação coletiva.

Trata-se da segunda edição do Efinerg, que visa a eficiência energética na indústria; do Efidric, com os mesmos propósitos mas a pensar nos grandes consumidores industriais de água; do Ecoprodutin, com o qual se pretende estimular o tecido industrial português a encarar a ecoinovação como fator de produtividade; e, por último, o Interambinerg, o contributo da AEP para acelerar o processo de internacionalização das empresas portuguesas de ambiente e energia em três mercados com um potencial muito interessante:Colômbia, Peru e México.

Os quatro projetos assentam num mesmo denominador comum: a transição para umaeconomia de baixo carbono e a promoção de uma cultura empresarial que tire partido dasustentabilidade enquanto fator de competitividade.

O Efinerg, cuja primeira edição, em 2011 e 2012, foi da responsabilidade de uma parceria celebrada entre a AEP e o IAPMEI, confirmou que as PME industriais com apreciáveis consumos anuais de energia querem reduzir a respetiva fatura, por se tratar de uma variável determinante para a sua rentabilidade, e estão sensibilizadas para aproveitar onovo quadro comunitário de apoio para fazer os investimentos que aligeirem os custos de contexto, acrescentem capacidade competitiva e proporcionem racionalidade e eficiência energéticas.

Nesse sentido, com uma intervenção mais transversal, contemplando também a eficiência hídrica e a promoção da ecoinovação, esperamos estar a ajudar as empresas e o país a atingir as metas que à escala europeia nos colocam temas como a fiscalidade verde e os programas Cosme e Clima 2030, por exemplo. 

Supletivamente, estruturámos uma task force interna, que está operacional operacional, para informar e aconselhar os nossos associados em matéria de incentivos a que se possam candidatar, nomeadamente ao abrigo da medida SME Instrument prevista no programa comunitário Horizonte 2020.
 
A AEP associou-se este ano ao GPA. De que forma poderá esta parceria contribuir para a competitividade das empresas portuguesas? 
Pessoalmente tenho a expetativa de poder espevitar as PME portuguesas a participar em processos como a discussão pública, atualmente em curso, em torno da reforma dafiscalidade verde, e de colocar as questões da eficiência energética e hídrica no topo das opções dos empresários e gestores interessados em aproveitar o quadro comunitário 2014/2020 para adotarem melhores práticas e operacionalizarem investimentos em sistemas e padrões mais sustentáveis de produção, I&D, ecoinovação e certificação ambiental.

Estou certo de que ambas as partes estão à altura das responsabilidades e de que, juntas, poderão contribuir para o salto qualitativo que, como país da UE, Portugal vai ter de dar se quiser incrementar ainda mais a competitividade da sua indústria, cujo papel no pós-troika vai continuar a ser fundamental.

16-10-2014

fonte: http://gpa.pt/

Back to Top